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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

2011: os melhores discos


1. KAPUTT - DESTROYER
























2. DAYS - REAL ESTATE
























3. HURRY UP, WE'RE DREAMING - M83       
























4. WITHIN AND WITHOUT - WASHED OUT
























5. HELPLESSNESS BLUES - FLEET FOXES
























quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2010: os melhores discos

1. Teen Dream - Beach House




2. Contra - Vampire Weekend




3. Swim - Caribou




4. High Violet - The National




5. The Suburbs - Arcade Fire

sexta-feira, 16 de julho de 2010

canções de estimação

The Beach Boys - Pet Sounds - 1966

Na carreira dos Beach Boys, 1966 foi o ano em que Brian Wilson abandonou as digressões da banda para se concentrar exclusivamente na produção de canções. Consequentemente, foi a partir deste momento que os Beach Boys colocaram de lado a imagem de boys band e apostaram na construção de discos mais adultos, tanto em termos líricos como a nível de produção. No disco Pet Sounds deixou de haver canções sobre surf ou as raparigas da California. Até porque, ironicamente, Brian Wilson nem gostava de praia...

Com mais tempo para se dedicar à produção, Brian Wilson não poupou na utilização de instrumentos, mesmo alguns pouco convencionais como por exemplo sinos de bicicleta, apitos, garrafas de coca-cola e obviamente sons de animais. No total, colaboraram cerca de 55 músicos na produção desde álbum.

Cada canção tem várias camadas de harmonias vocais que surpreendem pela emoção e arrojo do clã Wilson. Os arranjos instrumentais são uma explosão de criatividade e inocência.
Tem grandes canções e foi muito importante para estimular a evolução nas técnicas de gravação em estúdio.

sábado, 13 de março de 2010

viva a preguiça


Real Estate editado no final de 2008 é o primeiro álbum da discografia dos Real Estate. Quatro rapazes originários de New Jersey, entregam-se a uma pop de guitarras harmoniosas, embebido em surf e psicadelismo.  

O som bêbado do Verão, a preguiça dos dias soalheiros, a languidez da maresia. A despreocupação das horas passadas fora do escritório. Uma cerveja gelada na esplanada. Ao fim da tarde, um churrasco no jardim de uma casa nos subúrbios. Quero voltar ao passado...  

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

apocalyse now


Kid A editado em 2000 é o quarto álbum da discografia dos Radiohead. É o disco em que os Radiohead abandonam as guitarras e se entregam à descoberta de novos sons, particularmente influenciados pela música electrónica e o jazz. Em vez de canções com uma estrutura pop, encontramos estranhos interlúdios e melodias improváveis.

As letras das canções exprimem todos os problemas da sociedade global em que vivemos. É tentador olhar para este disco e ver nele uma profecia do que iria acontecer em 11 de Setembro de 2001. Thom Yorke escreve sobre a paranóia da segurança (chips, câmaras de vigilância, etc.); o aquecimento global; a especulação financeira ("the big fish eat the little ones"). Talvez esteja a fazer uma análise demasiado política, mas este é o disco que melhor resume as contradições e o absurdo da primeira década do século XXI.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tardes de Verão



Descobri este álbum recentemente e fiquei rendido logo após a primeira audição. Aliás, neste momento o meu toque de despertador é a canção "Feel It All Around", faixa n.º 4 deste EP editado em 2009. É um disco que se insere na estética glo-fi. E, perguntam os meus dedicados leitores, o que é glo-fi? É uma nova tendência da música indie (alternativa) que se caracteriza por utilizar samples e sintetizadores para criar um som nostálgico, sonhador, com batidas flutuantes. É uma mistura entre a tranquilidade da música ambiente e o ritmo hipnótico da música de dança. É a banda-sonora ideal para mergulhar na nostalgia, naquelas tardes de Verão em que ficamos à espera que o sol se desvaneça no horizonte distante da praia deserta.
Ao ouvir este disco é impossível resistir ao apelo do ócio.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

música étnica para nerds


Numa altura em que se aproxima o lançamento do segundo álbum dos Vampire Weekend é importante recordar o primeiro disco editado em 2008 por esta banda de Brooklyn. Foi uma das grandes revelações desse ano com a sua sonoridade influenciada pela música popular africana, combinada com o típico indie-rock de Nova Iorque. Ou seja, podemos considerá-los uma evolução dos Talking Heads. À música étnica adicionam ironia desarmante e savoir faire pop. Um disco viciante e perfeito para cantarolar...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

sobre o estado do Illinois ou notas pessoais sobre fé e amor


(Illinois - 2005)

Sufjan Stevens tinha um plano (ou um sonho): editar um disco dedicado a cada um dos 50 estados federais dos Estados Unidos da América. Em 2003, editou "Michigan" sobre o estado onde nasceu em 1975. E em 2005 foi a vez de "Illinois".

É um álbum sobre o estado do Illinois (a história, os costumes e as pessoas), mas na verdade podia ser sobre qualquer outro lugar, pois todas as referências históricas são um veículo para Sufjan Stevens exprimir as suas ideias sobre a fé, a família e o amor. Não é comum encontrar lyrics tão complexas num disco indie pop/folk. E muito menos uma espiritualidade cristã tão frontal e madura. Na canção "John Wayne Gacy, Jr", quando Sufjan consegue fazer-nos sentir simpatia por um serial-killer, não nos restam dúvidas que estamos perante um grande escritor e intérprete. Esta canção é um nó na garganta! Tal como é "Casimir Pulaski Day" sobre uma namorada que morreu de cancro.

E nem nos títulos das canções Sufjan Stevens poupa nas palavras, como é exemplo a faixa n.º 3:  "The Black Hawk War, or, How to Demolish an Entire Civilization and Still Feel Good About Yourself in the Morning, or, We Apologize for the Inconvenience but You're Going to Have to Leave Now, or, 'I Have Fought the Big Knives and Will Continue to Fight Them Until They Are Off Our Lands!'". Outro exemplo é a faixa n.º 16: "They Are Night Zombies!! They Are Neighbors!! They Have Come Back from the Dead!! Ahhhh!". Só pode estar a brincar...

Relativamente ao som o primeiro adjectivo que me ocorre é luxuriante. Parece que apenas uma orquestra pode construir um som tão épico, mas o mais extraordinário é que quase todos os instrumentos são tocados apenas por Sufjan (piano, banjo, baixo, bateria, acordeão, flauta, guitarra acústica, etc.). E isto permite-lhe criar uma grande variedade de ritmos e melodias, ora celebratórias, ora melancólicas.
Resumindo: um disco honesto, denso e surpreendente.

Se me pedissem para eleger o artista a solo mais influente da última década diria Sufjan Stevens. Mas, o mais provável é não pedirem...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

songs of devotion


(2000)

Bill Callahan (a.k.a. Smog) escreve canções melancólicas, cheias de negrume e despidas de artificios. Os seus primeiros discos foram gravados na insulariedade do quarto, por isso é considerado um dos fundadores do lo-fi, um dos muitos sub-géneros do indie-rock. A sua imaculada imagem de outsider e loser está bem presente neste disco ao qual adicionou ironia em doses generosas de que é exemplo o título do álbum.
Destaco três canções: Justice Aversion; Dress Sexy At My Funeral e Strayed.

Para quem preferir sons mais acessíveis e canções com mais cores pode dedicar-se à última fase da discografia de Bill Callahan: Whoke On A Whaleheart (2007) e Sometimes I Wish We Were An Eagle (2009).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

mitos urbanos


The Verve, Urban Hymns, 1997 - um disco essencial dos anos 90.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

discos: 2000-2009

Estamos a chegar ao fim de 2009 e por isso é tempo de fazer o habitual balanço de fim-de-ano. Uma vez que este ano marca o fim da primeira década do século XXI, torna-se obrigatório assinalar, não só o melhor deste ano, mas também o que de melhor se fez na área da música no período entre 2000 e 2009.
Num post anterior fiz uma lista com algumas das melhores canções da década e agora é tempo de apresentar a minha selecção para os melhores álbums dos anos 00'. A lista apenas segue a ordem da minha memória:

Is This It - The Strokes (2001)
Franz Ferdinand - Franz Ferdinand (2004)
Funeral - Arcade Fire (2004)
Illinois - Sufjan Stevens (2005)
The Flying Club Cup - Beirut (2007)
Vampire Weekend - Vampire Weekend (2008)
Person Pitch - Panda Bear (2007)
In Ghost Colours - Cut Copy (2008)
Night Falls Over Kortedala - Jens Lekman (2008)
Boxer - The National (2007)
Devotion - Beach House (2008)
Kid A - Radiohead (2001)
Sometimes I Wish We Were An Eagle - Bill Callahan (2009)
Coles Corner - Richard Hawley (2005)
Let´s Get Out Of This Country - Camera Obscura (2006)
Writer´s Block - Peter Bjorn and John (2006)
No Way Down - Air France (2008)
A New Chance - The Tough Alliance (2007)
Pains Of Being Pure At Heart - Pains Of Being Pure At Heart (2009)
Since I Left You - The Avalanches (2000)
Oracular Spectacular - MGMT (2008)
For Emma, Forever Ago - Bon Iver (2008)
Aw C'mon, No You C'mon - Lambchop (2004)
Takk - Sigur Rós (2005)


Já aqui escrevi sobre alguns destes discos e é provável que o faça relativamente a outros em futuros posts. Portanto, mantenham-se atentos!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ritmo e desejo




Sean Riley & The Slowriders é provavelmente a minha banda portuguesa preferida dos últimos anos. São de Coimbra, mas o vocalista e principal compositor (Sean Riley) é natural de Leiria.
Em 2007 surgiu o disco Farewell. Ouvi o primeiro single na Antena 3 e fiquei desde logo rendido à sonoridade folk / rock e à voz envolvente e carismática de Sean Riley (que lembra Nick Drake). Depois de ouvir o disco fiquei surpreendido com a consistência das canções e a inspiração das letras, especialmente por se tratar do disco de estreia. Ao longo das onze canções conseguem incluir todos os ritmos americanos: folk, blues, rock e country.


Em 2009 editaram o segundo disco Only Time Will Tell. A América continua a ser a referência. Comparando com o primeiro disco pode dizer-se que há mais folk e menos rock. Mais contemplação e menos acção. Mas, a emoção continua a invadir as canções... Let Them Good Times Roll!!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

p.s.: keep me in your heart


Richard Hawley - Lowedges - 2003

Um disco para os românticos incorrigíveis, para os amantes da noite e das viagens pela estrada fora. Melodias simples, baladas desavergonhadas, uma voz de crooner... a combinação perfeita para derreter o coração.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

por este rio acima



Este disco duplo é um dos cinco melhores discos portugueses de sempre. Um disco com a sonoridade tipíca da música popular portuguesa, mas filtrada pela sensibilidade de Fausto como cantautor. É um disco temático sobre as aventuras (e principalmente as desventuras) dos Portugueses por esse mundo perigoso e desconhecido no tempo das descobertas, baseado nos relatos de Fernão Mendes Pinto em "Peregrinação".  O disco está organizado de forma a replicar as viagens para o Oriente. Daí que a primeira canção do disco tem o título de "É o mar que nos chama", que serve como introdução. A segunda faixa é "O barco vai de saída" que dá início à acção. Nesta canção, Fausto descreve as várias razões que levavam os Portugueses a enfrentar o mar...

O barco vai de saída
Adeus ó cais de alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P´ra lá da loucura
P´ra lá do equador

Ah! mas que ingrata ventura bem me posso queixar
Da pátria a pouca fartura
Cheia de mágoas ai quebra mar
Com tantos perigos ai minha vida
Com tantos medos e sobressaltos
Que eu já vou aos saltos
Que eu vou de fugida

Sem contar essa história escondida
Por servir de criado a essa senhora
Serviu-se ela também tão sedutora
Foi pecado
Foi pecado
E foi pecado sim senhor
Que vida boa era a de Lisboa

Gingão de roda batida
Corsário sem cruzado
Ao som do baile mandado
Em terras de pimenta e maravilha
Com sonhos de prata e fantasia
Com sonhos da cor do arco-íris
Desvairas se os vires
Desvairas magia

Já tenho a vela enfunada
Marrano sem vergonha
Judeu sem coisa sem fronha
Vou de viagem ai que largada
Só vejo cores ai que alegria
Só vejo piratas e tesouros
São pratas são ouros
São noites são dias

Vou no espantoso trono das águas
Vou no tremendo assopro dos ventos
Vou por cima dos meus pensamentos
Arrepia
Arrepia
E arrepia sim senhor
Que vida boa era a de Lisboa

O mar das águas ardendo
O delírio dos céus
A fúria do barlavento
Arreia a vela e vai marujo ao leme
Vira o barco e cai marujo ao mar
Vira o barco na curva da morte
Olha a minha sorte
Olha o meu azar

E depois do barco virado
Grandes urros e gritos
Na salvação dos aflitos
Esfola, mata, agarra
Ai quem me ajuda
Reza, implora, escapa
Ai que pagode
Reza tremem heróis e eunucos
São mouros são turcos
São mouros acode

Aquilo é uma tempestade medonha
Aquilo vai p´ra lá do que é eterno
Aquilo era o retrato do inferno
Vai ao fundo
Vai ao fundo
E vai ao fundo sim senhor
Que vida boa era a de Lisboa.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

a troubled mind


(Five Leaves Left - 1969)

Nick Drake (1948-1974) é o santo padroeiro do mistério, da alienação e da beleza sombria. Este disco abre com Time Has Told Me:

Time has told me

You’re a rare, rare find
A troubled cure
For a troubled mind
And time has told me
Not to ask for more
For someday our Ocean
Will find it’s shore

So I’ll leave the ways of making me be
What I really don’t want to be
Leave the ways that are making me love
What I really don’t want to love

Time has told me
You came with the dawn
A soul with no footprint
A rose with no thorn
Your tears they tell me
There’s really no way
Of ending your troubles
With things you can say

And time will tell you
To stay by my side
To keep on trying
‘til theres no more to hide
So leave the ways that are making you be
What you really don’t want to be
Leave the ways that are making you love
What you really don’t want to love

Time has told me
You’re a rare, rare find
A troubled cure
For a troubled mind
And time has told me
Not to ask for more
For someday our ocean
Will find its shore

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quarto round




Boxer editado em 2007 é o quarto disco dos The National.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

On the beach

Um disco de Neil Young para aqueles dias nublados em que apetece caminhar à beira-mar, olhando um oceano de melancolia. Ir à praia de calças e casaco, sentir a maresia na face e a areia fria nos pés. Pensar na vida, mas esquecê-la com o voo indisciplinado das gaivotas...

Neil Young - On The Beach (1974)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A teenager in love

Dois discos dos Suede que marcaram a minha adolescência: o disco homónimo de 1993 e Dog Man Star de 1994. De forma especial o segundo com o som épico, febril, negro e repleto de orquestrações grandiosas. Combina baladas trágicas e canções que mais parecem um furacão. É um disco "over the top". Podemos acusá-los de pretensiosismo, mas isso sempre foi parte do encanto. Recomendado para menores de 20.



sábado, 31 de outubro de 2009

Is your heart still mine to save?


Beach House - Devotion (2008): neste disco descobri um som transparente, despido de artificios. Apesar da banda ser originária de um espaço urbano como Baltimore, as canções possuem um profundo sentimento telúrico. Ao ouvir o disco sou levado para montanhas em dias de nevoeiro. Ou uma praia deserta. O som caracteriza-se pela interacção entre um orgão denso e uma guitarra que não se impõe, mas aparece sempre no momento certo. E a voz de Victoria Legrand é uma das mais belas vozes que ouvi nos últimos anos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Na escuridão, acende-se um desejo


"Sometimes I Wish We Were An Eagle" de Bill Callahan (2009)